Hanseníase é tema de curso do Ministério da Saúde, UNA-SUS e Fiocruz

Publicado em Cursos, Educação permanente - 20 de Janeiro de 2020

Janeiro marca a Campanha Nacional da Luta Contra à Hanseníase, com mobilização nacional a ser iniciada a partir do dia 20 de janeiro.

 

No mês em que é celebrado a Campanha Nacional da Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo), com mobilização nacional a ser iniciada a partir do dia 20 de janeiro, o Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz Brasília, da Secretaria Executiva da UNA-SUS e da Secretaria de Vigilância à Saúde (SVS/MS), lança nova oferta do curso online Hanseníase na Atenção Básica, com ciclo de matrículas iniciado em 13 de janeiro e disponível até 26 de junho de 2020.

Alunos desta 11ª turma poderão finalizar o curso até 26 de julho de 2020. O objetivo é capacitar profissionais de saúde para atuarem no controle da transmissão da hanseníase e diminuir as incapacidades causadas pela doença. O público-alvo são os profissionais da saúde de todo país, especialmente os que atuam na Atenção Primária à Saúde, contudo, o curso é livre para demais interessados.

Para saber mais e se matricular, acesse o link. O início é imediato e, como em todas as ofertas da UNA-SUS, o curso é totalmente gratuito.

Produzida pela SE/UNA-SUS, a formação possui carga horária de 45 horas, certificação emitida pela Escola de Governo da Fiocruz Brasília e é dividida em três unidades: Vigilância, Diagnóstico e Acompanhamento da Hanseníase na Atenção Básica. Os casos clínicos são transversais, abrangendo e integrando os aspectos de controle da doença.

Lançado em outubro de 2014, com dez turmas já ofertadas, o curso já teve mais de 127,3 mil matrículas em 4.733 municípios contemplados. Entre os perfis profissionais que mais buscam a capacitação 31,6% são técnicos em enfermagem; 30,7% são enfermeiros; 10,3% agentes comunitários de saúde e 7,6% médicos. A maioria dos inscritos atua em Centros e Unidades Básicas de Saúde (49,08%); Hospitais Gerais (21,54%); Postos de Saúde (4,93%) e Secretarias de Saúde (3,64%). Os estados com maior número de matrículas são: São Paulo (11.825), Ceará (9.730), Minas Gerais (9.723) e Bahia (8.116).

O curso é dinâmico e utiliza metodologia diversificada. Além dos casos clínicos, que simulam situações comuns no cotidiano das unidades de saúde, são oferecidas videoaulas com explicações de especialistas e vídeos de apoio com dramatizações que tratam do tema. São também utilizados hipertextos, caixas de ajuda e glossário para que se possa aprofundar os conhecimentos de termos técnicos.

Luta contra hanseníase

O Ministério da Saúde promove anualmente a Campanha Nacional de Luta Contra a Hanseníase junto aos estados, municípios, instituições parceiras, movimentos sociais e sociedade civil. Essa ação tem como objetivo alertar sobre os sinais e sintomas da doença, estimular a procura pelos serviços de saúde em caso de suspeita, mobilizar a busca ativa de casos novos e o exame dos contatos pelos profissionais de saúde, favorecendo assim o diagnóstico precoce, tratamento oportuno, prevenção de incapacidades, bem como o enfrentamento do estigma e discriminação.

Para o ano de 2020, com o slogan: Quanto mais cedo descobrir e se tratar, maior a chance de evitar sequelas, a Campanha alerta para a importância do diagnóstico precoce como forma de prevenir as deformidades visíveis e incapacidades físicas decorrentes do diagnóstico tardio. O objetivo é alcançar toda a população, bem como, profissionais de saúde, jovens estudantes, gestores de saúde e organizações da sociedade civil.

Nesse contexto, as áreas da Secretaria de Vigilância em Saúde (Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças de Eliminação), da Secretaria de Atenção à Saúde (Coordenação-Geral de Gestão da Atenção Básica) e da Secretaria Executiva da UNA-SUS unem esforços voltados à mobilização dos profissionais de saúde para a realização da capacitação à distância por meio do curso EaD, bem como para a adesão às ações propostas pela Campanha, contribuindo assim para o avanço na redução da carga da doença no país em alinhamento à Estratégia Nacional para enfrentamento da Hanseníase 2019-2022.

A hanseníase

A hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória, que possui como agente etiológico o Mycobacterium leprae. Atinge principalmente a pele e nervos periféricos, podendo apresentar surtos reacionais intercorrentes. Possui alto poder incapacitante, podendo causar deformidades e incapacidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas e seus familiares.

A transmissão se dá pelas vias aéreas superiores (tosse ou espirro), de uma pessoa doente com a forma transmissível da doença e sem tratamento, para outra, após um período de contato próximo e prolongado. Portanto, é prioridade o exame de familiares, amigos e colegas de trabalho, que convivem ou conviveram por um tempo prolongado com o caso de hanseníase antes do início do tratamento, como forma de diagnosticar precocemente, prevenir as incapacidades físicas e interromper a cadeia de transmissão da doença.

A hanseníase tem cura e sue tratamento é gratuitamente ofertado pelo SUS, disponível em unidades públicas de saúde de todo o país. É feito por via oral, com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antimicrobianos. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada elo profissional de saúde e as demais, autoadministradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida, entretanto, é necessária a adesão ao tratamento completo, a fim de garantir a cura.

Além da realização do exame dermatoneurológico e avaliação neurológica simplificada, o paciente deve ser também orientado quanto às práticas simples do autocuidado com olhos, mãos e pés, que podem ser realizadas regularmente no seu domicílio e/ou em outros ambientes. O autocuidado melhora a qualidade de vida e autoestima da pessoa com hanseníase.

Situação epidemiológica da doença

A doença exibe distribuição heterogênea no país, com registro de casos novos em todas as Unidades Federadas, com maior concentração de casos nas Regiões Norte, Nordeste e Cento-Oeste.

Observa-se, também, uma maior ocorrência da doença em áreas nas quais a população convive em condições ambientais e socioeconômicas desfavoráveis, com dificuldade de acesso à rede dos serviços de saúde. Situações estas que configuram a hanseníase como importante problema de saúde pública para o país.

Inserida na relação de doenças negligenciadas, essa endemia classifica o Brasil como segundo país do mundo em maior número de casos novos, sendo 28.660 em 2018, o que corresponde a 13,7% do total de 208.619 reportados à OMS. Além disso, o país detém cerca de 92,5% dos 30.957 casos novos diagnosticados nas Américas (Boletim OMS, 2019).

No que se refere ao Grau de Incapacidade Física (GIF), entre os avaliados no diagnóstico, 9.000 (36,3%) pessoas apresentaram alguma incapacidade, sendo 6.891 com Grau 1 e 2.109 com Grau 2 (deformidades visíveis).

Informações gerais sobre a hanseníase, publicações vigentes e situação epidemiológica da doença no país estão disponíveis na página oficial com acesso pelo link: http://saude.gov.br/saude-de-a-z/hanseniase.

 

Com redação da UNA-SUS.